as cores se movem lentas
há trânsito sol e multidão
não sei de onde vem o sossego
que certas horas me acerta em cheio
e paro e deixo o tempo correr solto
tomo um café cerimoniosamente
folheio um livro displicente
murmuro mentalmente uma canção
e rabisco em lenços de papel
cabeças de mulheres que nunca vi
pedaços de corpos e árvores
e versos que se perderam de poemas
que nunca escrevi... nem escreverei
toda vida, todo mundo... tudo
se concentra nesse instante
e um sentimento novo se anuncia
nas dobras dos velhos sentimentos
e me acontece uma alegria rara
que gostaria de dividir contigo.