29 novembro 2010

Ambiguidades


não vou viver esse dia
não quero entrar nem sair
apenas é o que penso
dentro ou fora do que sinto
e o resto é poesia!

Silêncio


ela tecia silêncio
e seus dedos divagavam sobre o teclado
numa cena de filme
ela definia todo o universo
e como era tranquilo o ar ao seu redor
reverberando sua presença
muda como uma planta.

Depois da Festa


quase calado eu atravessei a noite ao teu lado
andando sob um chuvisco, quase ausente...
e você dizia não gostar de como seu cabelo fica molhado
e eu não reparava em nada, só tentava pensar
com as mãos metidas nos bolsos e tilintando de frio
atravessamos a noite sem dizer muitas palavras
você sorria de alguma coisa que lembrava
e eu não lembrava como chegamos ali...
naquela noite de chuva, deixando pra trás
o troar feroz de uma festa... e você dizia
não querer ser como as outras e eu pensando
o que faria pra você entender que te querer
é o melhor que há em mim
e tua blusa amarela, lembrança do Círio de Nazaré
ficou colada no teu corpo e na minha memória.

Noite


entre as pernas do acaso
vagam silêncios de ruas
abandonadas casas
cercadas de mato e tristeza
asas de insetos cobrindo
o chão úmido da chuva
entre bocas de músicas
derramadas no engano da memória
apalpam-se seios de estrelas
virgens da noite mais distante
quando jovens ainda
os bares em pinturas realistas
posavam em íntimos trajes.

Paisagem de erros


Cabe um erro aqui. Uma paisagem de erros. E para depois. Como tudo sempre é o mesmo. Como volto e nunca me escondo... Eu sei dizer o que não é palavra ainda... O que é ensaio vago de uma noite escassa. Eu digo: a palavra vive em sua cor de barro e sangue. Cabe outro erro, bem aqui: onde você deixou a flor e a borboleta borradas. Onde você escondeu o segredo violado e as paisagens de espanto da memória. Cabem todos os erros que nunca foram... e que te fazem ser o que não és em todos que estás sendo, em todos que fostes um dia e serás. Eu não sei dizer mais digo palavras que invento!